CRF FAZ MOBILIZAÇÃO CONTRA A VENDA DE MEDICAMENTOS EM SUPERMERCADOS

O Conselho Regional de Farmácia do Acre segue sua mobilização contra a aprovação da Projeto de Lei 9482/18, que permite a venda de Medicamentos Isentos de Prescrição Médica – os MIPS, em supermercados e outros estabelecimentos. Reuniu no auditório da ALEAC, farmacêuticos, donos de farmácias e políticos, quando o presidente do Conselho, João Vitor Italiano Braz e o conselheiro federal, Romeu Cordeiro, ressaltaram a necessidade da frente política atuar na Câmara Federal para evitar que a medida seja aprovada.

João Vitor destaca o perigo que o projeto representa para a saúde da população, na medida em que a venda de medicamentos em supermercados, poderá incentivar a automedicação. “Nesses locais não há a presença do farmacêutico, que tem as orientações adequadas pra o uso de medicamentos”, cita, ressaltando ainda que mesmo os medicamentos isentos de prescrição, usados isoladamente ou em combinação, podem causar danos graves. Esse risco aumenta quando alguns MIPs são usados junto com determinados medicamentos tarjados ou com bebida alcoólica.   

O presidente lembra ainda que o Acre é exemplo para o Brasil, sendo que há farmácias e o comércio de medicamentos nos 22 municípios, por meio de um processo legalizado de simplificação do comércio de medicamentos para regiões de difícil localização geográfica ou de pouco interesse econômico, cujo objetivo é assistir a população local. Portanto os dados contrariam o argumento de que há a necessidade da venda de medicamentos em supermercados.

O conselheiro federal Romeu Cordeiro, ressalta que o Brasil tem 85 mil farmácias e 220 mil farmacêuticos, “não havendo argumentação econômica, sanitária ou social que justifique a venda de medicamentos em supermercados e similares. Vender medicamentos em supermercados contraria o que preconizam a Organização Mundial da Saúde e a Política Nacional de Assistência Farmacêutica.  Medicamento, conforme prevê a Lei nº 13.021/14, deve ser dispensado somente sob a responsabilidade técnica do farmacêutico”.

APOIO

A presidente do Sindicato dos donos de farmácias do Acre, Lara Costa, prestou total apoio ao movimento liderado pelo CRF, na luta contra a liberação da venda de medicamentos em supermercados. “Lugar de vender medicamento é nas farmácias, onde há investimentos para a compra, transporte, armazenamento e venda adequados. Parabenizamos o CRF pelo movimento”.

Os representantes dos políticos também garantiram que os parlamentares vão se empenhar em Brasília, para evitar a provação do PL. Representando o senador Sérgio Petecão, a vereadora Lene Petecão, assegurou que “o gabinete do senador apoia causas como essa, que tem por objetivo, preservar a saúde e avida da população”.

O assessor do deputado federal Alan Rick, Carlos Sérgio Perez, disse que o fato do parlamentar acreano, ser do mesmo partido do relator do projeto na Câmara Federal, deputado Juscelino Filho (DEM-MA), deverá facilitar o acesso de Alan Rick, a ele. “O deputado vai ter maior possibilidade de tratar do tema com o colega de partido, no sentido de garantir o bem estar da população”, cita o assessor.

ACRE É EXEMPLO

O Acre é exemplo para o Brasil, sendo que há farmácias  e comércio de medicamentos nos 22 municípios. Em Marechal Taumaturgo há 5 farmácias, Em Porto Valter, são 3. No Jordão, são 3 farmácias e em Santa Rosa há duas drogarias. Em todas essas cidades, também há Unidades Básicas de Saúde, onde também há a dispensação de medicamentos.    

No total são 420 farmácias em todo o Estado, onde atuam 464 farmacêuticos. Vale lembrar também que há duas Faculdades de Farmácia no Acre, o que garante a presença de farmacêuticos em todos os estabelecimentos farmacêuticos.  

Quanto ao preço, o setor farmacêutico, é o único que tem tabela de preço, pelo o qual ninguém pode vender acima do valor estabelecido

DANOS À SAÚDE


Os danos causados por medicamentos custam 60 bilhões de reais ao ano para a rede pública. A cada real investido no fornecimento, o governo gasta cinco reais para tratar as morbidades relacionadas a medicamentos (UFRGS/2017).  

Medicamentos são a principal causa de intoxicação no país. São pelo menos 3 vítimas a cada hora, sendo as crianças as mais afetadas. O risco de intoxicação aumenta com a falta de orientação. Grupos específicos como crianças, idosos e gestantes exigem cuidado especial no uso de medicamentos, mesmo daqueles isentos de prescrição. A dose indicada para o adulto pode ser fatal para uma criança ou idoso.

Mesmo os medicamentos isentos de prescrição médica não são isentos de risco. Não há respaldo científico para afirmar que existam medicamentos inofensivos. Ao contrário. Todos os medicamentos apresentam efeitos terapêuticos e adversos. Os erros de medicação acarretam uma morte por dia e prejudicam 1,3 milhão de pessoas ao ano (EUA). Os números são semelhantes no Brasil.

Mesmo os medicamentos isentos de prescrição, usados isoladamente ou em combinação, podem causar danos graves. Esse risco aumenta quando alguns MIPs são usados junto com determinados medicamentos tarjados ou com bebida alcoólica. Veja alguns exemplos de interações:  Ácido acetilsalicílico (MIP) + Varfarina (Tarjado) = possível hemorragia.  Ácido acetilsalicílico (MIP) + bebida alcoólica aumento do risco de sangramento gastrointestinal. Paracetamol(MIP)+antigripal(MIP)= Pode causar hepatite/óbito (se o antigripal também contiver paracetamol) Medicamentos contra gripe e resfriado contendo antialérgicos como clorfeniramina, dexclorfeniramina e carbinoxamina = sonolência e comprometimento das atividades que requerem atenção, como dirigir carro ou operar máquinas.

CRF FAZ MOBILIZAÇÃO CONTRA A VENDA DE MEDICAMENTOS EM SUPERMERCADOS

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