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COMENDA DE HONRA AO MÉRITO PROFISSIONAL
Dra. Regina Maria Fernandes Vasconcelos

Regina nasceu em 18/07/1957, na cidade de Rio Branco/AC, pertencente a uma família de nove filhos, sendo ela a sexta da prole. Com 8 meses de idade, apresentou alguns sinais e sintomas de uma doença, a qual foi tratada sem o diagnóstico preciso. Seguiu sua infância aparentemente normal, mas entre os 10 e 12 anos de idade, sofreu 2 tombos e a partir daí, ressurgiram os sintomas anteriormente apresentados e com maior severidade, sendo necessário o seu deslocamento para fora do Estado em busca de tratamento. Aos 13 anos, após várias investigações por parte de ortopedistas e neurologistas, foi submetida a um procedimento cirúrgico na coluna, na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, situação referida pela família como muito dolorosa.

Menina decidida, forte! Regina não desistia de lutar, sem queixumes, muito estudiosa, mesmo frente às dificuldades e às limitações inerentes ao seu estado de saúde, portadora de uma doença que cursava sem diagnóstico, em 1979 ingressou na Faculdade de Farmácia e Bioquímica de Presidente Prudente/SP. Nos últimos dois anos do curso, a doença manifestou-se com outros sintomas mais graves, gerando falta de equilíbrio e, como consequência, inúmeros tombos. Superando todos os obstáculos, com resiliência e determinação, concluiu a graduação farmacêutica em 1984. No ano seguinte, retornou aos especialistas nas áreas de ortopedia e neurologia, no Estado de São Paulo, para proceder a novas investigações sobre a doença que a acometia, realizando incontáveis exames clínicos, de imagem entre outros, os quais demonstraram que se tratava de uma condição rara e degenerativa, identificada como Siringomielia.

A Siringomielia é uma afecção medular progressiva que se caracteriza anátomo-patológicamente pela formação, em plena massa cinzenta da medula ou do bulbo raquidiano, de cavidades tubulares, que parecem ser acompanhadas por uma proliferação de tecido neuróglico nas suas circunvizinhanças. Do mesmo modo que a maioria das enfermidades nervosas de causa desconhecida, são inúmeras as hipóteses tendentes a explicar a etiopatogenia da Siringomielia sem, entretanto, resolverem este problema.

Por fim, os especialistas, na tentativa de conter o avanço da doença e melhorar a qualidade de vida da paciente, entenderam ser indicado um procedimento cirúrgico para desobstruir o orifício da medula espinhal, o qual foi realizado e, 3 meses depois, apesar de várias intercorrências sofridas em função da cirurgia, Regina, guerreiramente, estava de volta ao Acre e ao trabalho.

Durante o período que atuou na profissão, ocupou cargos importantes no contexto da profissão. Dentre estes o de diretora técnica da Farmácia do Hospital de Base de Rio Branco e de diretora técnica do Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN), além de atuar de modo brilhante na área de hematologia do LACEN, atividades exercidas no período de 1985 a 1999, sendo exemplo de disciplina, coragem, dedicação, bravura, encorajando a todos que com ela compartilhavam os serviços técnicos laboratoriais, especialmente na área das análises clínicas, nunca se apequenando diante das situações, agindo como se pudesse oferecer 100% da capacidade física, psicológica, intelectual e técnica. Regina amava a profissão que abraçou e, assim, deu o seu melhor.

Regina buscava sempre se atualizar, mesmo enfrentando para isso inúmeras dificuldades. Mantinha-se atenta às leituras e aos estudos de conteúdos técnicos científicos, bem como realizando cursos, a exemplo dos que se seguem: Interferência dos Medicamentos nas Análises Clínicas, Atualização em Farmácia e Bioquímica e Aspectos Atuais em Bioquímica Clínica.
A doença, da qual era portadora “congênita”, possuindo um caráter progressivo, continuava seu curso, sendo que em 1999, apresentava-se bastante avançada o que a obrigou, no ano seguinte, submeter-se a mais uma cirurgia. Tal procedimento foi realizado novamente em São Paulo, porém com resultado insatisfatório, ou seja, sem êxito. Em abril de 2005, foi encaminhada para o Hospital de Referência Sarah Kubitschek, em Brasília, contudo, o estágio da enfermidade encontrava-se muito avançado. Naquela oportunidade, não havia muito a fazer, segundo informação passada à família da paciente pelo corpo técnico da Unidade Hospitalar, e a paciente, logo após a admissão, fez uma parada respiratória, necessitando internação na UTI, na qual foi entubada imediatamente, depois realizada a traqueostomia e, posteriormente, a gastrostomia.

Regina permaneceu internada no supramencionado hospital por 3 meses. Recebeu alta e retornou ao seu domicílio em Rio Branco, no qual foi instalada uma mini UTI, contratado serviços profissionais de técnicos para suporte no atendimento e cuidados à paciente, a qual estava com a parte motora completamente prejudicada, pois perdera todos os movimentos. Nesta condição, que persistiu de abril de 2005 a novembro de 2011, quando foi a óbito, Regina lutou bravamente, com muita dignidade, resiliência, pois enquanto a engrenagem, física e motora, encontrava-se devastada, sua mente mantinha-se ativa e lúcida. Demonstrava alegria em receber visita dos colegas farmacêuticos, mesmo estando com dificuldade de se comunicar por meio da voz. Sorria, e o olhar continuava atento, expressando os bons sentimentos que cultivara por toda a sua existência.

Regina foi uma farmacêutica que, em seu tempo, muito orgulhou a classe por ter feito da profissão sua missão de vida.

Texto redigido por Francimary Muniz